Alugar uma casa aqui em Dublin vem se tornando tarefa cada vez mais difícil. A cidade está vivendo uma verdadeira crise imobiliária, com uma multidão de pessoas procurando um lugar para morar e pouquíssimas ofertas disponíveis.

Recentemente fiz um relato sobre meu processo de mudança para a Irlanda e comentei que meu marido precisou de 45 dias até conseguir uma casa para nós. Como já sabíamos de toda a dificuldade, ele veio primeiro para o país para organizar tudo antes da minha vinda com a gata.

O principal site de anúncio de aluguéis da Irlanda é o Daft.ie, onde é possível fazer pesquisas de casas e apartamentos filtrando por bairros, preços, etc. Com a grande procura atual, assim que um anúncio sai no Daft, chovem e-mails de pessoas interessadas. Os corretores então são obrigados a agendar visitas apenas com os primeiros da lista interminável.

Quando eu digo interminável, não é brincadeira. Desde que chegamos aqui, visitamos alguns imóveis procurando por um lugar maior. Já vi corretor comentando que recebeu 300 e-mails de pessoas interessadas em apenas um dia de anúncio.

É claro que, com tanto interesse, os preços para alugar qualquer coisa por aqui estão atingindo níveis insustentáveis. Os proprietários, chamados de landlords, colocam a exigência que bem querem para alugar. Não aceitam animais de estimação, não querem crianças e por aí vai. Alugar um imóvel por aqui está sendo uma questão de você ser escolhido pelo proprietário.

Entretanto, após ter sido o sortudo selecionado, acredito que a burocracia para alugar aqui seja bem menor quando comparada com o Brasil. Não é necessário fiador ou imóvel como garantia. Você apenas precisa ter uma carta do seu emprego alegando que tem condições de alugar um imóvel, uma carta do seu atual landlord e alguns corretores pedem ainda alguma comprovação de renda.

Como a procura tem sido grande, as pessoas já levam todas as cartas e documentos necessários quando vão visitar o imóvel e ali mesmo já fazem uma proposta de aluguel. O corretor reúne todas as propostas e as repassa para o landlord, que então escolhe qual será o sortudo que alugará o imóvel.

Na hora de assinar o contrato, você paga o primeiro mês de aluguel e uma quantia como garantia, que geralmente é o equivalente a um mês de aluguel. Esse valor da garantia será devolvido ao final do contrato, considerando que você entregue o imóvel em condições adequadas. Geralmente os contratos tem duração de um ano.

Com relação aos preços, em geral apartamentos de um dormitório em uma região central da cidade saem em torno de €1300, já os imóveis com dois dormitórios custam a partir de €1600. Em regiões mais afastadas é possível conseguir preços um pouco melhores ou, pelo mesmo preço, imóveis mais confortáveis, mas a concorrência continua grande.

Com um tempo de permanência reduzido (atualmente o intercâmbio na Irlanda tem duração de oito meses), para os intercambistas a solução acaba sendo dividir um imóvel com outras pessoas. Nesse caso, a forma mais fácil de encontrar um quarto é procurando pelos anúncios nos classificados do Facebook. Existem vários grupos no Facebook de brasileiros que colocam anúncios de vagas, sejam de quartos inteiros, ou quartos compartilhados, o que acaba influenciando no preço da vaga.

Os preços das vagas compartilhadas também subiram bastante. Durante o meu intercâmbio pela Irlanda, em 2012, meu marido e eu pagávamos €375 de aluguel mensalmente. Esse valor era para um quarto de casal em uma casa de três dormitórios. Cada quarto custava esse valor e nós morávamos em Dublin 8, uma região que dá para caminhar até o centro. Atualmente um aluguel de quarto de casal em casa compartilhada está saindo a partir de €750 e tenho visto anúncios de cama em quarto compartilhado por €400.

Para quem ganha o salário mínimo, é preciso controlar as despesas, ou seu intercâmbio vai se resumir a pagar aluguel, mas ainda assim acho que vale a experiência e é possível levar um vida confortável como intercambista trabalhando nos chamados “subempregos”. Falo isso porque, fora o valor do aluguel, as outras despesas não são altas (comida, transporte, etc.).

Até a próxima.