Chegou a vez da Polônia – Último destino do Leste Europeu

A Polônia foi o nono e último país desta etapa do mochilão. Ao todo foram 21 dias percorrendo diversos países do Leste Europeu.

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Escolhemos a Cracóvia como destino deste país por ser próxima aos Campos de Concentração de Auschwitz, lugar onde milhões de judeus, ciganos, religiosos e outros grupos perseguidos por Hitler foram exterminados durante o Nazismo.

A chegada foi tranquila. Passamos a tarde caminhando pelo centro da Cracóvia e fomos recebidos por uma família durante este período através do CouchSurfing.

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O dia seguinte foi para conhecer Auschwitz. Saímos cedo de casa e pegamos um ônibus que nos levou até a entrada do campo. Lá pagamos para fazer a visita guiada, com audioguia e um instrutor que explicou sobre o funcionamento do lugar. Sei que existem excursões e você pode optar por ir com um grupo desses, mas nós achamos que teríamos maior liberdade indo por conta e foi super fácil de chegar lá. Sem falar que acaba saindo mais barato. Eu não tenho mais as informações de preços e horários dos ônibus, mas lembro que pesquisei na internet na época da viagem e foi tranquilo de organizar tudo.

Dá pra entrar de graça, sem guia, mas não faz sentido caminhar a esmo, sem orientação. A entrada no parque não é cobrada justamente porque a intenção é atrair o máximo de pessoas possível para que fiquem estarrecidas e nunca mais se repita o que houve em Auschwitz. Para ir de um campo de extermínio ao outro é possível caminhar por 3 quilômetros ou pegar um ônibus. Nós fomos de ônibus, pois de outra forma não daria tempo de conhecer tudo.

Auschwitz-Birkenau é o nome dado a rede de campos de concetração, maior símbolo do Holocausto. A partir de 1940, o governo de Hitler construiu vários campos de concentração e um campo de extermínio nesta área. A razão direta para sua construção foi o fato de que as prisões em massa de judeus excediam em grande número a capacidade das prisões convencionais até então existentes. Ele foi o maior dos campos de concentração nazistas, consistindo de Auschwitz I (campo principal e centro administrativo do complexo); Auschwitz II–Birkenau (campo de extermínio), Auschwitz III–Monowitz, e mais 45 campos satélites.

Por um longo tempo, Auschwitz era o nome alemão dado a Oświęcim, a cidade em volta da qual os campos eram localizados. “Birkenau”, a tradução alemã para Brzezinka (floresta de bétulas), referia-se originalmente a uma pequena vila polonesa que foi destruída para que o campo pudesse ser construído.

Em 1940 Auschwitz II–Birkenau foi designado como campo de extermínio e o lugar para a solução final para os judeus.  Entre o começo de 1942 e o fim de 1944, trens transportaram judeus de toda a Europa ocupada para as câmaras de gás do campo.

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O primeiro comandante, Rudolf Höss, testemunhou depois da guerra, que mais de três milhões de pessoas haviam morrido ali, 2.500.000 gaseificadas e 500.000 de fome e doenças. Hoje em dia os números mais aceitos são em torno de 1,3 milhão, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados para Auschwitz e executados foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos romenos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, cerca de 400 Testemunhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalidades. Aqueles que não eram executados nas câmaras de gás morriam de fome, doenças infeciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou experiências médicas.

Em 27 de janeiro de 1945 os campos foram libertados pelas tropas soviéticas.

Atualmente Auschwitz I e II estão abertos para visitação e as imagens que ficam de lá são de um sofrimento muito grande e do abuso que foi cometido com as pessoas que perderam suas vidas sem nenhum motivo justificável.

Auschwitz II – Birkenau:

Birkenau é o campo mais universalmente conhecido como Auschwitz, o campo de extermínio. Ali se aprisionaram milhões de judeus e ali também foram executados mais de um milhão de judeus e ciganos.

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Banheiros de Birkenau. O uso dos banheiros não era permitido em qualquer momento durante os trabalhos realizados nos campos de concentração. Pias coletivas eram usadas para lavar o rosto no início do dia.

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As acomodações não tinham conforto nenhum. As pessoas dormiam amontoadas em beliches sem colchões. A preferência era dormir nos andares superiores, pois assim havia menos ratos e não era tão frio quanto no chão batido. Muitas pessoas dormiam no mesmo espaço, o que era bom para se aquecer no rigoroso inverno polonês. Não havia espaço para se virar de um lado para o outro na “cama”.

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Auschwitz I:

Este era o campo original, que servia como centro administrativo de todo o complexo.

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O Bloco 11 de Auschwitz I era considerado “a prisão dentro da prisão”, onde aqueles que quebravam as regras, tentavam escapar ou eram suspeitos de sabotagem eram punidos. Alguns prisioneiros eram obrigados a passar noites seguidas nas “celas verticais”, pequenas celas de 1,5 m², onde quatro deles eram colocados ao mesmo tempo, não tendo outra alternativa que passarem a noite toda em pé, saindo no dia seguinte novamente para os trabalhos forçados nas fábricas. No porão do bloco ficavam as “celas da fome”, onde os aprisionados ali ficavam sem receber comida ou água até que morressem.Lá também ficavam as “celas escuras”, que tinham apenas um pequeno espaço na parede para respirar e portas sólidas; os prisioneiros colocados nestas celas permanentemente na escuridão iam gradualmente sufocando à medida que o oxigênio ia rareando dentro delas; às vezes, os guardas SS acendiam velas para fazer o oxigênio acabar mais depressa.

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É nesta etapa da visitação que se tem acesso a imagens da época, datas de chegada e morte de muitas pessoas, a maior parte sobreviveu a apenas um ou dois meses em Auschwitz, coleções de objetos que os nazistas não tiveram tempo de queimar e hoje estão expostas em salas, como sapatos, malas, etc .

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Latas de Zyklon B, substância usada nas câmaras de gás.

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Cabelo humano era usado para confecção de tapetes e tecidos.

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As cenas são chocantes mesmo, e acho que essa é a ideia de mostrar tudo isto dessa forma, para que uma atrocidade como esta não se repita mais.

No dia seguinte fizemos um passeio por um parque com a família que nos recebeu e partimos para a Espanha.

 

 

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