We Are The People

Fazer intercâmbio é realmente uma experiência que todos que tiverem a chance de fazer não devem desperdiçar. A mistura de sentimentos e como aprender a lidar com tudo isso, o comportamento humano, a formação das relações entre as pessoas que se identificam e estão frágeis pela distância dos familiares, e a própria fragilidade destas relações, são situações que só vivenciando para entender.

Um dos pontos fortes do intercâmbio é a busca por um emprego. Muitos concordam que esta experiência é positiva para o jovem que está viajando, mas já ouvi opiniões contrárias, de pessoas que acham isso um absurdo para a imagem do nosso país, pois pessoas graduadas acabam se sujeitando aos mais variados tipos de “subempregos”.

Contrários ou não, esta é a situação da maioria dos jovens que estão por aqui.

A média de tempo atualmente para encontrar este tipo de emprego aqui na Irlanda é de três meses. Porém, eu vejo muita gente há mais tempo do que isso e sem trabalho ainda. Não está fácil.

Eu comecei a trabalhar quando estava há três meses e meio morando aqui, isto que não procurei durante todo o tempo, pois passei vinte dias viajando antes disso, porém eu já cheguei com inglês aqui na Irlanda, o que não é a realidade da maioria dos brasileiros.  O meu namorado só foi começar a trabalhar esta semana, com cinco meses de Irlanda, sendo que ele procurou tanto quanto eu desde o início, e tem um inglês impecável. Então, acho que é uma questão de sorte mesmo. E claro, é uma questão de contatos, que para nós até hoje não serviram para nada.

O meu primeiro emprego foi em um Café, e eu trabalhava como uma espécie de faz-tudo por lá. O ambiente era legal, pois o lugar era pequeno e os clientes eram sempre os mesmos. Fui chamada para começar as soon as possible, como dizia na mensagem de celular, e trinta minutos depois lá estava eu chegando ao Café e me deparando com uma pia cheia de louça para lavar. Aprendi a trabalhar como barista, fazendo os principais tipos de café; como deli assistant, montando sanduíches e wraps; como caixa, com uma caixa registradora cheia de botões; como kitchen porter, lavando louças, repondo bebidas na geladeira, buscando alguns ingredientes no estoque, e como garçonete, servindo lanches e o tradicional  café da manhã irlandês.

Troquei de emprego quando apareceu a oportunidade de trabalhar 4o horas semanais, que na verdade eu fui entender mais tarde que eram muito mais do que 40 horas nas duas primeiras semanas, e muitos menos do que 40 horas depois das duas primeiras semanas. Diferentemente do café, onde eu estava trabalhando apenas com irlandês e atendendo somente irlandês, neste novo emprego eu estou trabalhando praticamente só com brasileiro e não preciso falar praticamente nada com os hóspedes. No momento em que decidi trocar não pensei no inglês, pensei no dinheiro para viajar mais tarde. E lá fui eu, trabalhar de doméstica nas acomodações da UCD, uma universidade aqui de Dublin.

Doméstica? Sim, doméstica. Até agora a única vergonha do Brasil não é por ver tanto brasileiro fazendo isto aqui fora, mas por ver que eu como doméstica consigo ganhar mais do que a minha mãe que é professora do estado no Brasil, e tem graduação e mestrado. Sem falar no custo de vida daqui, mas nem vou entrar neste assunto para o post não ficar muito longo.

Trabalhar como doméstica de acomodação estudantil, com supervisora fiscalizando o trabalho e tudo mais, fez eu  mudar a minha forma de ver o prestador de serviço. Passei a valorizar ainda mais este trabalhador. Sem falar que aprendi a fazer faxina como nunca. :)

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